A ativação da resposta ao estresse

O sistema nervoso autônomo juntamente com o sistema endócrino evoluíram num ambiente em que o medo da morte por um predador ou tribo inimiga era o principal ativador da resposta de estresse. A resposta de “fuga ou ataque” funcionava perfeitamente naquele cenário e época, e a evolução humana escolheu adaptações que foram cada vez mais bem-sucedidas em termos de sobrevivência.

Entretanto, agora, parece que estamos em um momento da nossa evolução que nos exige a capacidade de acessarmos áreas de nosso potencial que vão além da resposta “fuga ou ataque”.

Os seres humanos vivem agora em ambientes complexos nos quais a cultura, a sociedade e a experiência individual criam um conjunto de sistemas de crença que determina a nossa percepção de ameaça e segurança. Os tipos de ameaças que experimentamos são em relação à nossa auto-imagem, nossos relacionamentos, nossas crenças e conceitos e nossos gostos e aversões.

Basicamente, o que está sendo ameaçado é nosso sentido de Unidade na forma de todas as condições externas que o compõem, desde a segurança física à autoestima.

Agora que o homem mudou para um mundo altamente complexo de raciocínio simbólico, a resposta de “fuga ou ataque” já não nos serve mais da mesma forma que serviu aos nossos ancestrais. A resposta de “fuga ou ataque” não é adequada aos tipos de estresse que enfrentamos em nossa cultura:

– estresse contínuo no trabalho,

– questões econômicas,

– sentido da vida,

– baixa autoestima,

– solidão ou isolamento,

– relacionamentos.

Esse dilema no qual a resposta de “fuga ou ataque” é ativada repetidamente, mas sem o alívio e recuperação necessários resulta no estresse crônico.

A resposta de “fuga ou ataque” não foi feita para uso contínuo, e podemos esperar suas consequências quando agimos contra a natureza:

o sistema psico-físico começa a desmoronar, resultando em enfermidade. As enfermidades relacionadas ao estresse são uma epidemia em nossa sociedade, e essa doença é a forma que o corpo encontra de nos lembrar que estamos fora de equilíbrio e desconectados das leis da natureza.

O YOGA COMO VEÍCULO PARA RESTABELECER O SENTIDO DE UNIDADE

Os seres humanos podem se encontrar agora em encruzilhadas que podem servir como oportunidades para acessar outras áreas de nosso potencial que oferecem soluções para o estresse. O Yoga é o veículo que nos abre para esse potencial. Através do Yoga aprendemos que o estresse é o resultado de percepções baseadas em padrões habituais de pensamento e resposta, dos quais podemos nos tornar conscientes. O Yoga nos oferece uma nova forma de encarar a vida na qual vemos a nós mesmos como parte integral da vida como um todo, ao invés de um indivíduo lutando para preencher suas necessidades.

À medida que nos conectamos com a Unidade básica dentro de nós, a realidade se torna uma aliada, ao invés de um adversário. A partir dessa visão macro cósmica da vida, podemos trabalhar até o nosso potencial pleno, como uma resposta natural ao nosso papel no desenvolvimento evolucionário global, ao invés de ir de encontro exclusivamente de nossas necessidades individuais. À medida que nosso sentido de Consciência de Unidade se desenvolve, nos damos conta que o ser que se tornou estressado, tentando satisfazer suas necessidades externamente, não é de forma alguma aquele que realmente somos.

Yoga é a tecnologia para descobrir essa verdadeira experiência de nós mesmos e da realidade. Yoga trabalha com o estresse num sentido bem mais amplo do que apenas reduzir os seus sintomas; a redução de estresse é um subproduto de uma nova maneira de ver o mundo e a nós, a qual está alinhada com as leis da natureza, ao invés de ir na direção contrária a elas, sendo, portanto, mais equilibrada e menos estressante.

O Yoga gerencia o estresse em vários níveis:

• Yoga reduz o estresse no corpo físico e aumenta a consciência da conexão corpo-mente.

• Yoga traz uma consciência de um maior potencial de equilíbrio em nossas vidas, que podemos não ter vislumbrado antes.

• Yoga traz uma consciência da tensão criada pelo desequilíbrio dentro de nossos corpos, e nos dá técnicas concretas para reduzir a tensão.

• Yoga dá maior consciência ao nosso relacionamento com os diversos aspectos de nós mesmos, com os outros e com a vida. À medida que começamos a explorar esses relacionamentos mais cuidadosamente, usando a consciência testemunha, somos capazes de ver quais interações nos sustentam genuinamente em nosso movimento em direção à Unidade, e quais criam maior dor e sofrimento através da separação.

• Yoga traz maior consciência dos bloqueios psicoemocionais que limitam nossa experiência de vida. Nossa percepção da vida tem sido condicionada pelas nossas experiências e, às vezes, para evitar a dor, nos fechamos para nos protegermos de nossas sensações e emoções. Através das ferramentas que o Yoga nos oferece, aprendemos a tomar consciência de todas as partes de nós mesmos, com a compreensão de que é através dessa integração de todas os diferentes aspectos que chegamos a um equilíbrio natural.

• Finalmente, o Yoga abre a porta à experiência direta da Consciência de Unidade na qual não há separação e, portanto, não há estresse.

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